quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quase nada


Sinto ser sombra da própria sombra
Resquício da última gota de lágrima
Solfejo de fantasma sem assombra
Um acidente que a vida se lastima.

Sufoco de suicida covarde
Brasa quase fria de fim de incêndio
Susto de ferida que nem arde
Lasca de asa da Mosca morta de terreno baldio.

Sou quase nada
Quase inexistente
fade do fim de balada
quase indiferente

Quase, certamente, “o quase” que poderia, com dízimas de talvez,
Ter sido um tudo pelo menos uma vez.

quarta-feira, 4 de março de 2009

T

Todo "Tê" tem um charme de ser,

muito ser tem vontade de ter

um "Tê" pra te amar

ou talvez detestar.


Tamanho seja o "Tê",

tanto importa.

O importante é tê-lo!

Tanto tamanho quanto trejeito,

tanto faz o teu tipo.


Tudo tem "TÊ".

Travessia, Terra, Telefone, Tietê

até o tímido ballet,

tácito quase sem efeito

ao término do termo

com toque de talento.


Temos também o temeroso

O tal trilha a traquinagem;

O tolerante topa tentar

ser temperamental

sem ao menos trepidar.


Não seja tosco

ao ponto de talhar

toda a trajetória

que o "TÊ" esteve

ou deixou de estar.

Ele tá no português,

no seu tato,

na tela da Tv para triunfar.

Se ainda não tem,

tem que atravessar tamanha triagem.

tu topas esta letra?

Então entorpeça com este presente eterno

sem tempo feito tatuagem.

Tássia Rosário Guarany


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Roda Viva

Olha o sorriso!
O que é o sorriso?
É aquilo que curva a boca do menino
O que é menino?
É cabeça, vontade, coração,
inocente, não sabe da verdade
e que na barriga nem migalha de pão.
O que é pão?
alimento, comida, fermento
e a consequencia do sorriso do menino.


Tássia Guarany

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A vela de dona Maria



Se você estivesse olhando está cena
Talvez não a entenderia
O por quê de dona Maria
Acender uma vela
se jazia um belo dia?

Pau-a-pique,
azulejo de barro,
caixa de papelão,
pequeno móvel sustentava uma imagem
quase desforme
e uma vela clara.

Ai, ai, ai dona Maria
O sol sorri lá fora
pra quê esta vela
de chama azul e amarela?

Com certeza você ainda não entenda
os motivos que a comandavam
não faça esforço! Não!
Seria tolice!
Nunca entenderás! Entende?

Nem eu a entendo
E esta Dona Maria é minha!
Aquela vela que ali queima
clareia algo de dentro para fora
O que vem de dentro de dona Maria?
Não sei. E isso me castiga!

Seu assemblante era sofrido, porém sereno.
E aquela vela?
Está queimando a minha alma
e iluminando a dela!!!
Como posso sofrer mais que ela?

Ela me deixa culpada,
afinal ela é minha!
Contudo vive sem precisar de mim...

O martírio é maior
Pois agora sussurra o Pai Nosso
Como se realmente fosse nosso, assim para todos.
Quando poderia ser somente dela.


Tássia Rosário Guarany




Maria, maria de todos os dias
Passava o dia todo
dia após dia
a lavar roupa no rio
Cheque-cheque fazia
limpava o suor da testa
O Cheque-cheque continuava.

Quando voltava aproveitava
supria sua lata
com líquido poderoso
e na cabeça equilibrava.

Era com muito gingado que o fazia
e as roupas como filho sustentava.
O pés nem sentiam as pedras que quase furavam
Nem o sol era capaz de castigar seus olhos.

Lá vai a Maria
Ou pode-se dizer maria
Já não importava
nunca importou
era macabéia para sempre
mas sua hora nunca chegou.


Tássia Rosário Guarany

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Noite Feliz

Acho que, definitivamente, esquecemos, ou não recordamos, ou até nunca foi lembrado, o que chamamos de Natal.
Longe de mim defendê-lo, ou melhor, o farei sim, contudo serei parcialmente contra também.
Nem sei o que dizer. Talvez poderei estar a kilômetros da originalidade em falar sobre ele. Claro!
Nascimento. De uma força que move a nossa espécie mesmo após quase dois mil e nove dezembros (noite feliz, noite feliz, ó senhor, Deus do amor...). E não podemos esquecer, é claro, que essa força era tão de carne e esqueleto quanto nós (...pobrezinho nasceu em Belém...)
Época que supostamente, vai além desta nossa matéria que não vale vintém (ou vale? Já houveram algumas que custaram dez conto), em outras palavras, deveria atingir o que chamamos de espiritualidade. Até aí, muito bonito (Dorme em paz ó Jesu us!).
Rio em pensamento ao refletir que um ateu usa o Natal como pretesto para consumir.

Nem sei o por quê deste blá, blá, blá.
Ora, quem sou eu para dizer alguma coisa?
Não quero mais dizer nada.
Quero apagar tudo...
Não posso!

Então o que me resta além desta taça de vinho tinto é dizer o que todos dizem:

Feliz Natal! (dorme em paz ó Jesus).


Tássia Guarany

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Conselho da Avenida.



Momento que eu confiei
Semente do amor que eu fiz
No fundo do peito
O meu sofrimento caiu de joelhos
Foi-se embora a solidão.
O meu vilarejo,

Põem no samba a alegria
E na mesma rima
O seu coração.
Pobre oh ti sem harmonia

A apatia mudou o seu olhar
Foi-se embora pra Bahia
Mulher amada
E pôs a se queixar,
Que agonia!


Quero mais 500 carnavais
De valores ancestrais
Perdidos no tempo
Adeus realengo, pois já não tem jeito

Face a moeda irão se entregar.
Na minha memória
Outros tantos que virão
Outros nem todos sãos
Encontro por ai.

Quem sabe, talvez outro dia
Meu povo feliz a cantar
Por mares de avenidas
Lavar a alma
Sentir o sol clarear
A nossa vida,
É bonita, é bonita e é bonita!




Rafael Sacco



PS.:
Agradeço desde já pelo cantinho de poesia que me alegra em poder participar!
Um canto de harmonia sim, tal qual passárgada, manoel, noel, chico e vinicius também estavam lá.
Pois são poetas que me inspiram, e minha musa sim, essa sempre será Tatá!
Obrigado amiga, poetera, bailarina... meu patuá!



Seguidores de poesia